Crônicas Artonianas

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comic book cover 01)!size] 17, Salizz, 1410 CE[/b]

Naquele frio final de tarde de outono um rato perambulava. Os últimos dias tinham sido ingratos para a pobre criatura e ela estava faminta. Uns poucos farelos de pão e um pedaço miserável de queijo estragado (não que fizesse diferença) fora tudo o que ela tinha conseguido encontrar, além de quase ter sido pega duas vezes pelos tripulantes, que também pareciam estar famintos. Os bigodes do roedor balançavam enquanto ele corria, sempre farejando em busca de alguma coisa em que por os dentes.

As poucas luzes que chegavam ali no compartimento de carga garantiam certa segurança ao animal. Mas mal sabia ele o que iria encontrar ao dobrar uma esquina entre um barril vazio e uma caixa de madeira com roupas velhas. A faca atravessou-o de cima a baixo antes mesmo de ele ter percebido o que tinha acontecido.

Segurando a arma fincada no chão e no cadáver, um homem baixo de cabelos loiros, pele queimada pelo sol típica de quem passou um bom tempo em um convés de navio, e orelhas pontudas de elfo. Seus olhos azuis brilhantes podiam ser vistos no reflexo da parte da adaga que não atravessava o pequeno rato. Um esboço de sorriso começava a se desenhar nos seus lábios, mas parou no meio do caminho quando escutou barulhos vindos lá de cima do navio. Rapidamente ele recolheu a faca e chutou para um canto o animal que acabara de matar, deixando-o escondido.

Em seguida, moveu-se sorrateiramente por entre as caixas do achbuld que aquele navio contrabandeava e que ele morria de raiva por não poder aproveitar. Não usufruir nada daquela erva era uma situação que quase o fazia arrancar os cabelos, além de toda situação incômoda que era se refugiar naquele local por dias. O pouco espaço livre para se movimentar tinha feito o seu corpo ficar dolorido como se um trobo o tivesse atropelado e a companhia apenas de ratos o deixava a beira dos nervos. Mas por situações muito piores ele já tinha passado antes, sabia disso.

Ignorando as dores no corpo, ele se locomoveu com tanta agilidade e silêncio que faria inveja ao melhor dos assassinos. Ser tão bom assim em se esconder e se deslocar como se nem estivesse ali era uma das coisas de que Dreon, o Último dos Dragões, como gostava de se chamar, mais se orgulhava. Mas na verdade, se fosse pego ali com certeza iriam matá-lo, não tinha outra hipótese, por isso era imprescindível não fazer qualquer barulho como se pedisse por uma morte certa.

O elfo por fim parou próximo das escadarias e espichou as orelhas para poder ouvir melhor. De lá de cima o capitão gritava ordens para soltarem os cordames. [i] Finalmente essa banheira vai partir pra algum lugar.[/i]

Há exatos 18 dias, sua mãe, Céline, fora morta vítima de um amante ciumento. Este, por sua vez, não respirou por muito mais tempo que ela, quando de súbito provou o sabor da espada de Dreon, até então virgem de sangue. Céline era só uma prostituta, alguns diriam, mas aquela prostituta o criou desde que seu pai, um bardo elfo que dizia descender dos dragões fugiu para nunca mais ser visto. Sem dúvida ela precisava ser vingada.

Dizem que no Dia do Duelo sempre ocorrem acertos de contas, apesar de isso ter sido só uma coincidência. Dreon não pensou duas vezes em dar cabo do assassino imundo, mal sabendo que aquele homem era o chefe de um bando de piratas. Ele mesmo já tinha vivido seus dias como saqueador nos mares, mas isso ao lado de outras pessoas, não poderia sobreviver a uma tripulação inteira vingativa. Ao serem alertadas, as mulheres do bordel apressaram a sua fuga temendo uma investida da tripulação do morto.

Aqueles fatos eram revividos em sua mente enquanto tentava se lembrar onde tinha pisado em terra firme pela última vez. Eram memórias tristes, mas isso de certa forma o motivava. Todo pirata que se preze e que quer ser um flagelo do mar negro precisa de uma história sangrenta para contar.

Entrando clandestinamente naquele navio que zarpava de última hora de Kriegerr, Dreon deixava sua cidade natal e, assim que descobriu os barris com archbuld contrabandeado, imaginou que iria até Ahlen. Sua opinião mudou quando viajaram alguns dias para o oeste e então subiram o Rio dos Deuses. “Provavelmente vão para Gorendill, soube que a atuação das Irmandades tem aumentado nessas regiões.” Ledo engano: dias depois o navio estava rumando para sudeste através do Yrlaniadish e finalmente tinha atracado em um pequeno vilarejo já há uma semana. O objetivo era contornar Ahlen e chegar diretamente à capital, mesmo que a viajem durasse muito mais, certamente era mais seguro.

Mas Dreon não se importava muito com aquilo naquele momento. Aproveitaria que a dispensa seria certamente reposta para poder arranjar algo para comer além das sobras que surrupiava de marujos desatentos. Sempre havia pelo menos dois vigias no andar acima do compartimento de cargas e o cozinheiro não tirava o molho de chaves do cinto nem enquanto dormia. Sobreviver da água da chuva não era também nada saudável, por isso só a fome e a sede que sentia justificavam ele subir as escadas e se arriscar a entrar na cozinha do navio.

Usando de um pequeno espelho encontrado no compartimento de carga, Dreon foi conferindo se o caminho estava seguro até a dispensa. O navio era uma fragata caindo aos pedaços, mas os traficantes que estavam neles eram da pior estirpe que se pode encontrar, sempre desconfiados. Dessa vez, não se ouvia nem o som de ratos naquela parte do navio, o que era uma tremenda sorte. Sorte maior ainda foi encontrar carregadores saindo para buscar mais barris de cerveja, deixando o caminho para a despensa livre e a porta entreaberta…

não seria tão generoso[/i], refletiu, e estava certo porque nem bem deu um passo, escutou o clique de uma arma sendo engatilhada atrás da sua nuca. Já tinha visto mais de uma vez o que uma daqueles cospe-chumbo podia fazer com os miolos e tripas de um infeliz que por acaso levasse uma bala, por isso sua respiração congelou, ele engoliu em seco e ergueu lentamente as mãos em sinal de rendição.

- Sabia que tinha ouvido mais do que ratos aqui embaixo. – Soou uma voz gelada e cortante atrás de si.

A noite tinha chegado rápido e com isso toda iluminação que passava pelas frestas nas tábuas havia diminuído consideravelmente, de modo que nem um olhar de esguelha permitiu a Dreon ver o rosto daquele que estava prestes a levá-lo como prisioneiro. Depois de muita tortura os restos do seu corpo seriam jogados ao mar, não parecia um futuro promissor. Ele não podia morrer agora, e nem ali.

Como num milagre, gritos de fogo e de que estavam sendo atacados vieram de lá de cima. Foi o instante de distração que permitiu a Dreon correr e subir as escadas. Abaixar as mãos e ter pegado a espada teria sido um erro que ele talvez pagasse com a vida. Só queria naquele momento fugir e o alvoroço que um incêndio podia causar num navio certamente era a situação perfeita.

No convés o caos estava instalado e ninguém o notou. As chamas lambiam as velas e os mastros enquanto se espalhavam com extrema facilidade. Os marinheiros estavam tão desorganizados que quase ninguém se preocupa em apagar o incêndio. Flechas de fogo voavam vindas de barcos não muitos distantes do navio, mas parcialmente escondidos na escuridão.

A rampa de acesso ao cais estava apinhada de gente, de modo que uma fuga por ali seria impossível. Com dificuldades encontrou o único lugar livre das chamas e se dirigiu até a balaustrada, já pronto para saltar. Era um ótimo nadador, se safaria muito bem dessa. Mas não antes de mais uma vez notar a pistola a centímetros de sua cabeça.

- Hey, vai sair sem se despedir? Você deve ser um espião da Rosa de Ahlen. Eles realmente não possuem um pingo de bom senso. – De novo a voz gelada e cortante.

isso é possível?! Pensei que tinha dado uma boa distância nesse miserável. [/i]

- Não, não sou um espião desses idiotas. Sou da Casa Blasanov e se eu fosse você não arranjaria encrenca com eles. Talvez até sobrasse um dinheirinho pra você nesse esquema.

Esse tinha sido o blefe e infelizmente não deu muito certo. O homem que segurava a arma apenas deu uma gargalhada seca.

- Ha! Só pelo seu senso de humor vou ser um cara legal. Vou deixar você ver o meu rosto antes de morrer.

só o que faltava, um ladrão com princípios[/i], Dreon pensou, mas virou-se com as mãos rendidas e se deparou com um homem perto dos 40, cabelos loiros com alguns fios acinzentados, porte atlético e barba mal-feita. Seu rosto era uma das coisas mais feias que já tinha visto: tostado pelo mar e pelo sol, nariz aquilino, tapa-olho e boca torta. No entanto, o que mais surpreendia era o olho direito, todo negro, quase de uma escuridão abismal que parecia congelar tudo a sua volta, mesmo com todo fogo no navio, pessoas gritando e as flechas incendiárias voando. Era como se o olho perscrutasse sua alma.

Esse momento de paralisia foi interrompido apenas quando um segundo milagre aconteceu. De alguma forma a casaca do marinheiro começou a se incendiar e ele naturalmente deu início a um processo de tentar apagar as chamas com tapas. Dreon não pensou duas vezes e virou-se para saltar. No entanto, não conseguiu terminar o movimento a tempo.

Recebeu um golpe por atrás da cabeça e desmaiou.

Os raios de sol finalmente atingiram sua face e foi uma dor lancinante ter aberto os olhos bem naquela hora. Despertou imediatamente sem saber exatamente onde estava. Seus olhos perscrutaram cada canto do que parecia um quarto de uma mansão, sem fazer idéia se já tinha estado naquele lugar. Certamente que não, pois nunca tivera mais dinheiro do que o suficiente para dormir em uma cama puída em alguma taverna de beira de estrada. A cama em que estava por sua vez era a maior que já tinha visto e os lençóis tão limpos que o branco doía em sua vista.

Notou que estava com suas roupas, mas elas também estavam incrivelmente limpas, mais limpas do que ele já pensou ter visto algum dia, mesmo quando foram novas. Calçou as botas e procurou suas armas, porém elas não estavam em lugar algum. Tentou no criado mudo e nos armários, mas eles estavam completamente vazios. Todos os móveis eram feitos de madeira nobre, as lâmpadas e lustres eram de cristal e as paredes de mármore branco.

Olhou o seu reflexo em um espelho enorme que havia ali e lhe pareceu que estava muito bem, melhor do que um dia já tivesse aparentado estar. Tinha olheiras por que acabara de acordar, mas até elas pareciam lhe cair bem.

Grandes janelas deixavam a claridade entrar e ele olhou para fora. Estava no terceiro andar de alguma mansão em um bairro nobre. A cidade ele não reconheceu, mas algo lhe fez pensar que se tratava de Thartaan. Mansões, muros, telhados e muitas árvores estavam ao redor e só mais ao longe ele conseguiu ver prédios, torreões e casas comuns, e então um porto a leste.

Alguém bateu à porta de entalhes que lhe pareciam feitos de ouro. Sem esperar resposta, o que parecia ser um soldado grandalhão foi entrando. Tinha uma espada longa na bainha e trajava uma meia-armadura prateada.

- Faça o favor de me acompanhar. Sua Senhoria o aguarda.

Dreon não fazia idéia do que se tratava e a surpresa de ver um homem tão rígido falar tão educadamente o desconcertou um pouco. Não estava acostumado a tanta cerimônia, e definitivamente aquela era uma situação que nunca tinha vivido. Diante do silêncio, o soldado estreitou os olhos como que para conferir se não estava falando com um idiota e completou:

- [i]Agora.[/i]

Tanto por que já tinha passado a surpresa quanto por não querer contrariar um homem tão grande sem estar armado, Dreon o acompanhou para fora do quarto, passando por um longo corredor com grandes vidraças, tapeçarias, armaduras e quadros. Todas as portas estavam fechadas, menos a última em que chegaram.

Dentro da sala ele conseguiu ver apenas uma figura feminina sentada em uma mesa que caberia um batalhão, e era um banquete que alimentaria um batalhão que estava sendo servido. Atrás dessa figura existia algo semelhante a um poleiro com uma ave dentro. Pelo menos meia dúzia de lareiras podiam ser vistas, além de poltronas e um longo tapete vermelho que levava de onde a mulher estava até a porta de carvalho ao fundo. Diversas vidravas deixavam a luz da manhã e trás e permitia uma bela vista dos jardins. Era provável que coubessem umas duzentas pessoas naquele salão.

O homem que o acompanhava fez sinal para que ele entrasse, fechando a porta assim que Dreon aproximou-se mais da mesa e sentou-se na única cadeira vazia. Do outro lado, a metros de distância, ele podia ver melhor a mulher, que o encarava enquanto segurava uma taça de vinho. Ela era alta, de rosto angelical, com olhos cintilantes escuros e longos cabelos negros. O vestido azul de seda que usava realçava sua beleza, assim como os colares e brincos de safira. Na gaiola era um corvo que olhava pra o recém-chegado com profundos olhos vermelhos.

- Ora, ora, pensei que não iria mais acordar. – Ela deu um sorriso de canto de rosto e tomou um gole da taça. – Bom dia. Sirva-se, temos mais comida do que eu conseguiria comer em toda minha vida.

O cheiro que emanava de um frango assado, das frutas e dos pães frescos atingiu-o em cheio e ele logo se lembrou de como estava com fome. A fome era tanta que ele deixou todas as perguntas que tinha em mente naquele momento e começou a devorar todos os pratos. Criados vieram e lhe trouxeram bebidas e mais pratos. Depois de se sentir satisfeito daquela que tinha sido a melhor refeição da sua vida, Dreon reparou melhor para a anfitriã, que apenas tinha comido um pouco de um bolo de passas e bebido do vinho enquanto olhava com um sorriso ele comer. Achou que seria apropriado pelo menos agradecer, mas ela foi mais rápida:

- Você dormiu um bom tempo, achei que iria gostar de comer bem quando acordasse.

Aquilo o deixou surpreso demais para pensar em uma resposta, mas conseguiu dizer:

- Desculpe a falta de modos. Eu… ah-hã… Onde estou exatamente? O que aconteceu?

- Bem, você é rápido em tratar de negócios… Gosto disso. – Ela lançou mais um dos seus sorrisos misteriosos enquanto seus olhos dançavam.

- O quê? Eu não… Não sei do que você está falando.

- Não precisa ficar sem jeito, já disse que gosto de como você vai logo direto ao ponto. Então, acredito que a última coisa de que você se lembra é de um homem velho com um olho estranho naquele navio.

seria um elogio[/i], ele pensou, carrancudo.

- Ah, sim. Após isso me acertaram por trás e tudo se apagou. Agora estou aqui, seja lá onde “aqui” seja. Mas o que aquele homem tem a ver com isso?

- Aquele homem é um dos meus guerreiros mais leais. Você deve saber o que os olhos de alguns collenianos podem fazer. Nesse caso, ver o seu passado. – Ela terminou a taça de vinho, que logo foi reposta por uma copeira ávida por agradar, e continuou, sem dar a Dreon tempo de pensar no que falar. – E ele revelou que você foi responsável pela morte de alguém que eu queria ter matado com minhas próprias mãos.

O sorriso dela agora não era nada amistoso e Dreon novamente não sabia o que dizer. “Deuses! Eu sempre soube o que falar para uma mulher. Em geral eu nem preciso abrir a boca para conseguir o que quiser com elas. O que está acontecendo comigo?!”

- Mas eu sou grata a você. Tanus, o Sanguinário era uma verdadeira pedra no meu sapato. Segundo o que me contaram você é um ótimo assassino.

, assassino, assassino”[/i], crocitou o corvo enquanto batia as asas.

Dreon fez menção de se levantar. Não conseguia mais agüentar aquilo.

- Moça, – deu seu melhor sorriso – se você não disser o que quero saber não temos mais nada para conversar. Vou me retirar agora.

- Vossa Senhoria, para você. Peço que escute a proposta irrecusável que tenho para lhe dar, não pretendo me demorar.

- Então diga. – Disse, cruzando os braços. Era jovem e impaciente, não dado a ficar de conversa em salões nobres.

- Já disse que lhe sou grata e por isso que lhe faço essa proposta. É o modo que encontro para lhe pagar o favor que me fez, além de não ter deixado você morrer naquele navio. – Bebeu casualmente do vinho. Se fosse para negociar alguma coisa ali, ele havia aprendido bem como fazer-se de indiferente para conseguir a melhor oferta.

- Veja bem, você é um rapaz atraente. – Aquilo quase o fez derramar o vinho nas calças – E eu estou à procura de alguém para se casar com filha. Certamente que ela irá se interessar por você, ela não se interessa por mais ninguém mesmo. – Soltou um risinho divertido que o fez pensar mais de uma vez se deveria se sentir elogiado ou ultrajado com aquilo. – Um galante elfo, duvido que alguma donzela possa resistir a isso.

- Meio-elfo, na verdade, minha mãe era humana. E, pode ser uma surpresa pra você, mas essas orelhas me arranjaram mais encrencas do que fizeram sucesso nas tavernas.

- Ah, não seja modesto. E não adianta mentir, porque já sei tudo seu passado. – O sorriso enigmático dela o fez ter certeza que aquilo era verdade. – Como eu dizia, minha filha é realmente uma pessoa, digamos, arredia. Os deuses sabem que já tentei de tudo para agradá-la.

Nada do que ouviu parecia cheirar bem para Dreon, mas mesmo assim ele esperou ela concluir:

- Então é isso. Case-se com ela e você será mais rico do que um dia sonharia ser, e ainda será um duque. Dome-a, tome outras mulheres se quiser, mas mantenha-a na linha. Pelo modo que fez seu desjejum hoje, não tenho dúvidas de que desejaria repetir isso todos os dias.

- Não tenha dúvida que sim! Mas, primeiro, não estou interessado em casar com uma criança. Venha me procurar quando ela tiver idade e eu estiver querendo um relacionamento sério, se é que um dia terei…

- Criança?! Minha filha tem 23 anos, se parece muito comigo, mas ainda mais bela, tenha certeza.

Diante disso ele ficou desconcertado. Achava que aquela mulher que não devia ter mais do que 23 anos de idade. Mas continuou:

- Segundo, pode não parecer, mas já vi muita coisa nessa vida e minha mãe me alertou sobre todo o tipo de demônios e outras pragas que tomam a forma de mulheres e convencem os homens a venderem suas almas. Essa conversa me parece suficientemente com uma situação dessas. Qual o truque? Que outras condições há por trás desse trato?

- Truque? Nenhum. Mas certamente há outra condição: você não pode falar nada para ela sobre mim e essa proposta. Isso estragaria tudo.

- Pode ter certeza que não contarei nada para ela, – ele soltou uma risada. – Afinal, nunca verei essa garota. Despeço-me aqui, você deve estar louca se acha que vou cair nisso tudo.

Isso fez a mulher estreitar os olhos, enquanto Dreon se levantava.

- Você não tem escolha. É uma pena que seja tão teimoso. – Ela bebeu mais do vinho – Veja seu dedo indicador direito. Nele há uma cicatriz que fiz para tirar o seu sangue. – Suando gelado, ele imediatamente conferiu e viu que ela falava a verdade. [i] Ela é uma bruxa![/i] Era a única coisa que ele conseguia pensar. – Quando disse que a proposta era irrecusável eu não estava brincando.

- Eu não vou entrar nesse seu joguinho! – Ele buscou a espada, mas então se lembrou que ela não estava ali.

- Ah vai. Fará exatamente como eu disse ou eu posso pensar em algumas coisas divertidas para fazer, como virar sua carne ao avesso ou fazer você comer suas próprias entranhas. É impressionante o que uma gota de sangue pode fazer, não é mesmo?

O que mais o impressionava era como ela disse tudo aquilo ainda mantendo o mesmo sorriso feliz no rosto. Queria esfolar aquela mulher, queria seu sangue de volta, queria fugir dali, mas ao mesmo tempo sabia que não podia fazer nada daquilo. Nunca se sentira tão impotente e desamparado em toda sua vida. Ele que sempre era o primeiro para falar o que pensava o primeiro para correr para o ataque durante um luta, agora estava paralisado.

- Bem, então acho que estamos de acordo. Minha filha estará daqui a alguns dias em Gorendill, estou enviando você para lá. Prepare-se da melhor forma que puder para cortejá-la, mas duvido que ela goste de poemas ou serenatas, do contrário já teria enviado um bardo no seu lugar. Carlson, – um homem baixo e atarracado entrou no salão – acompanhe o nobre cavalheiro Dreon e certifique-se de que ele tenha tudo o que precisar.

O homenzinho mal tinha se curvado e uma luz esverdeada começou a cegar a visão de Dreon, vinda das mãos da bruxa. De repente, a paisagem de uma cidade portuária começava a entrar em e o mesmo Carlson parecia se desmaterializar e depois começar a reaparecer a seu lado.

- Espere! Mas eu não sei nem o nome dessa garota!… Eu não sei nem o seu nome!…

Mas era tarde demais e ele agora já estava vendo Gorendill.

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INSTRUÇÕES DO JOGO
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Sim, isso mesmo, vou mestrar uma campanha aqui no fórum. Interessados devem postar fichas e qualquer dúvida aqui nesse tópico. Nível 1. Atributos 17, 15, 13, 12, 10 e 8.

Pessoas que faltem com respeito ou fichas que são apenas desculpas só para fazer combos não serão aceitas. Aqueles que fizerem um ladino ou não repetirem as classes postadas aqui ganharão alguns pontos para que estejam dentro do jogo.

confirmados (posivelmente):[/size]

- James Key (Ely, nobre humana)[/i]

que mostraram interesse:[/size]

- [/i]

ATENÇÃO: Não haverá lista de espera, de preferência, ou algo desse tipo. Faça uma boa ficha e você está dentro, do contrário, sinceramente desejo toda a sorte para você em outra mesa.

O prólogo acima praticamente não tem nada haver com o jogo. “AH, então eu sou um trouxa que leu aquilo tudo por nada??” Bom, não é bem assim. rsrs Primeiro que eu não pretendia que fosse tão longo, segundo, que vou aproveitar futuramente ele em uma ou outra coisa. Também sempre gostei das partes que apresentam os personagens. As situações desse prólogo foram surgindo assim que li o histórico que um jogador iria usar para essa mesa. É isso, postem as ficham!

Comments

fredrdh

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